Credit Talk avalia possibilidade de recessão nos EUA e efeitos de uma guerra comercial

Allianz Trade debate riscos e impactos das políticas do presidente americano Donald Trump na economia global e brasileira

Nesta quarta-feira (26), a Allianz Trade no Brasil, líder nacional em seguro de crédito e referência em seguro garantia, realizou a primeira edição do ano de seu fórum Credit Talk, reunindo especialistas para analisar o início do segundo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos, com foco no comércio exterior e nas tarifas de importação anunciadas por ele. O evento contou com a participação de Caio Megale, Economista-Chefe da XP Investimentos, e de Felipe Tanus, Diretor de Crédito da seguradora.

Caio Megale, Economista-Chefe da XP Investimentos, e Felipe Tanus, Diretor de Crédito da Allianz Trade no Brasil

O Credit Talk é um painel econômico trimestral organizado pela Allianz Trade, com o objetivo de compartilhar informações econômicas relevantes que possam auxiliar as empresas em suas decisões diárias, sejam elas seguradas ou não. Cada edição traz nomes renomados do mercado financeiro e de seguros para discutir temas atuais e tendências econômicas.

Dessa vez, entre os principais temas debatidos, destacaram-se o protecionismo comercial característico deste mandato nos EUA, os riscos inflacionários e cambiais no Brasil, além da alta nas insolvências empresariais no País até 2026, como mostrou o recente Relatório Global de Insolvências da seguradora.

De acordo com Tanus, “especificamente para o Brasil, depois de um ano mais negativo em 2024 com mais 37% de insolvências em relação a 2023, nossas projeções esperam um aumento de 13% neste ano, atingindo 4.000 casos, e de mais 5% em 2026, chegando a 4.200 casos. Uma guerra comercial completa aumentaria nossa previsão de insolvências globais em +7,8% e +8,3% em 2025 e 2026, respectivamente. Para 2025-2026, isso significaria mais 6.800 casos adicionais nos EUA e mais 9.100 na Europa Ocidental”.

Política comercial dos EUA e seus efeitos sobre o Brasil

Ainda neste mês, a imposição de tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio nos Estados Unidos alarmou o mercado brasileiro. O País é o segundo maior exportador de aço para os EUA. Canadá e México também foram alvos das taxas trumpistas, as quais estão, agora, em maior parte, congeladas para ambos, até o início de abril.

O Economista-Chefe da XP Investimentos, Caio Megale, explicou o funcionamento das tarifas e avaliou as possíveis consequências para o Brasil: “Trump implementa dois tipos de tarifas: as de caráter econômico, como a taxação do aço brasileiro para proteger a indústria siderúrgica americana, e as geopolíticas, usadas para pressionar países como México e Canadá em questões de fronteira. Para o Brasil, a situação é mais complicada, pois as tarifas têm um objetivo puramente econômico e são estruturais, dificilmente negociadas”.

Apesar da instabilidade global, o executivo acredita que o Brasil também pode encontrar oportunidades. “O País não está diretamente envolvido em conflitos geopolíticos e segue como um dos principais fornecedores mundiais de matérias-primas essenciais. Se souber aproveitar essa vantagem e garantir estabilidade fiscal e regulatória, pode atrair fluxos de investimento estrangeiro em meio à turbulência internacional”, explica Megale.

Redução de capital estrangeiro no Brasil

Em relação ao mercado cambial, o fórum discutiu a oscilação do dólar entre R$ 5,70 e R$ 6,00, refletindo a valorização da moeda americana diante de incertezas globais. Megale explicou que o real segue pressionado por fatores externos, e que algumas condições poderiam levar a uma valorização ainda maior do dólar.

Para ele, existe a possibilidade de uma recessão nos Estados Unidos no segundo semestre de 2025, a qual poderia reduzir a entrada de capital estrangeiro no Brasil e diminuir o preço do petróleo para US$ 60 o barril, como aconteceu no final de 2024, o que impactaria negativamente a arrecadação brasileira e desvalorizaria ainda mais o real.

A falta de progresso em reformas estruturais e ajustes fiscais pelo governo brasileiro também elevaria a percepção de risco, pressionando o câmbio. Nesse sentido, o economista ressaltou que a cotação do dólar deve depender dos desdobramentos da política econômica brasileira e da conjuntura global.

Desafios para os próximos meses

Nos próximos meses, a economia brasileira deve enfrentar maiores desafios, com um cenário global que continua incerto, o protecionismo de Trump aumentando tensões comerciais e a inflação pressionando as decisões de políticas monetárias.

Segundo Caio Megale e Felipe Tanus, o Brasil, apesar de suas vulnerabilidades, mantém uma posição estratégica no mercado global de commodities e pode se beneficiar da demanda externa por alimentos e matérias-primas. No entanto, para garantir um crescimento sustentável, será fundamental equilibrar as contas públicas, controlar a inflação e avançar em reformas estruturais.

Para eles, o momento exige cautela e planejamento estratégico por parte das empresas. O aumento das insolvências e o ambiente econômico instável reforçam a necessidade de monitorar riscos e adotar medidas de proteção financeira para navegar um ano que promete ser desafiador.

Para 2025, Megale projeta um crescimento de 2% para a economia brasileira e uma possível revisão para cima da previsão de 1% para 2026, graças a medidas de crédito e consumo. Por outro lado, o desemprego pode subir cerca de 1 ponto percentual até o final do ano, mas ainda em um nível historicamente baixo, e a inflação deve retornar ao intervalo da meta, permitindo uma possível queda nos juros.

O Credit Talk já está disponível na íntegra no canal da Allianz Trade no Brasil no YouTube. Para assisti-lo, clique aqui.

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